Girl From Sao Paulo

"you are crossing the tropic of capricorn".

07 April 2008

driving miss busy


Esta gringa que vos escreve aprendeu a dirigir carro automático nas ruas pacatas de um pais distante. Alem de dirigir nas planicies europeias, dirigi nos interstate highways dos Estados Unidos e Canadá. Pilotei Cutlas Sieras, VW Golfs, Mercedes, Lincoln Continentals, Ford Escorts e inumeros carros alugados. Durante a faculdade passei muitos finais de semana dirigindo os filhos do pintor (Robert Kushner) para a casa de campo e passeando com eles enquanto o Robert preparava seus shows. Explorei com a Risa D. as rotas rurais de Negril e Montego Bay, onde se dirige English style. Já com meu honey e nosso baby, iamos para Montauk passar finais de semana revezando pilotagem toda sexta feira a noite.

Quando mudei para SP, não havia por aqui muitos carros automaticos, e os poucos que havia eram caros demais e portanto totalmente inacessiveis para alguem re-começando a vida em um novo lugar.
Yours truly.
Se tivesse tido logo de cara o acesso a um Honda, Audi, ou Seat automático, teria gasto bem menos dinheiro em taxis, teria conhecido muito mais lugares da cidade e meu medo de trocar marchas teria passado totalmente desapercebido. Ou pelo menos tanto quanto passou desapercebido no caso de qualquer parente que aqui chegou dos USA e pegou emprestado de alguem um carro - automático.
No meu caso não foi assim, Tive de aprender a usar marcha lá atras, na marra, em poucos dias, até o honey viajar a trabalho. Fiquei com o carro dele, mas depois de algumas desventuras (carro morrendo na subida com direito a sinfonia de buzina e plateia na rua mais movimentada de Higienópolis – entre outras), dei férias ao carro a fim de ganhar vergonha na cara e fazer umas aulas – de marcha.
O tempo foi passando.
Virei habitué de taxi. Alias, desse assunto tenho histórias que valem um post.
Tivemos a onda de assaltos relampago nos farois. Adiei as aulas um pouco.
Mudamos para outro bairro que ainda não conhecia bem. Adiei mais um pouco.
E um dia a carteira venceu.
Então, uns meses atras resolvi: vamos lá então fazer uma carteira brasileira, do zerinho, com direito a passagem pelo detran, aulas praticas, etc.

Liguei na autoescola e comecei.
Aulas teóricas com um bombeiro. Adorei estas aulas. O cara captivava a turma, fazia aulas interativas e eu curti principalmente as de primeiros socorros. Fui fazer o exame teórico, que me levou um máximo de 5 minutos e – não passei. ☹
Esperei 15 dias, fui de novo, e desta vez fui super cuidadosa com as possiveis pegadinhas. Passei.
Comecei as aulas práticas. Segundo Sileno, o meu instrutor, eu estava bem, mas ..“…você só fica meio afobada a hora de trocar marcha”. REALLY?
Fizémos uns simulados e me disseram que estava pronta para o prático no DETRAN.
O exame estava marcado para as 9:00hs. A fila era enorme e as 11:30 eu ainda não tinha ideia de quando seria minha vez. Para cada pessoa que voltava sorrindo, umas 3 voltavam de cara fechada ou sorriso sem graça. Finalmente o Sileno me chamou. Era a minha vez.
Ele tinha me explicado no dia anterior que o teste é feito por 3 examinadores: um senhor mais das antigas que era simpatico mas certinho e exigente, uma senhora meio invocada e temperamental que gostava de repetir as balizas, e um examinador novo que tinha acabado de começar e que ninguem conhecia muito bem. Como eu já tinha chegado até aqui na raça, estava torcendo fortemente pelo senhor das antigas.
Enquanto o Sileno me levava pelo braço até o Gol, repassando as regras beasicas que todo mundo esquece na hora do exame eu acenava que sim, mas a unica coisa em que eu pensava era que eu precisava urgentemente ir no banheiro. Fiz um acordo com o universo: vou fazer tudo certinho, mas se não for para eu dirigir então, que assim seja. Só que eu preciso ir no banheiro então por favor universo, me deixa ser testada pelo senhorzinho.
Sentei no Gol e olhei pro lado. O mano. De óculos escuro. Com o celular na mão, pegou meu documento e falou pra eu dar a partida. O resto do trajeto foi monosilábico, ele falava com alguem sobre um carro que pretendia comprar, apontava com a mão livre para a baliza ou a rua a direita e, de repente o exame acabou. O mano ainda estava ao cleular quando me entregou o certificado.
A carteira chegou 4 dias depois.

Para a maioria dos brasileiros, carro automático é uma péssima ideia. Diz o meu sócio que um carro que anda sem que se pressione o acelerador não faz sentido nenhum. Pois eu já acho que se todos os carros da cidade fossem automáticos, a gente não veria tanta barbaridade nos farois: pessoas fingindo ver um farol amarelo quando estava vermelho, ou pisando no acelerador para atravessar antes do pedestre. Porque vamos combinar, trocar marcha é muito chato. Diga meu sócio o que disser, para mim, carro automático faz muito mais sentido, é mais seguro, e a gente não perde a atenção avaliando se devemos estar em terceira ou quarta na hora que temos de avaliar outras coisas mais importantes. Fora que com carro automático, dá pra falar no celular, retocar o baton, e escolher a faixa de musica favorita no ipod.
Brincadeira, eu jamais faria isso. ;)

Então aos poucos estou treinando com o Senic da familia. Por enquanto deixei o carro morrer duas vezes numa virada a esquerda com subida. E no farol, afobada com as pessoas atras. Not bad.
Mas assim que eu puder, vou mesmo é comprar um carrinho automatico.
Já até montei minhas playlists favoritas.

1 Comments:

At 10:33 AM , Blogger Momentum said...

Hey! Quando quiser treinar direção, avise antes para organizarmos a torcida -- em casa, claro!

 

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