Girl From Sao Paulo

"you are crossing the tropic of capricorn".

21 September 2006

teatro

Estava almoçando com umas amigas, trocando ideias sobre os desafios do trabalho e como por mais que se mude de lugar ou estrututa acabamos encontrando pela frente sempre os mesmos personagens. No meio de risadas alguem disse que trabalho nada mais é do que teatro.
Enquanto o assunto mudou para cinema e moda, eu continuei imaginando essa coisa dos personagens no trabalho. Realmente, a arena de trabalho lembra uma peça de teatro. A peça pode ser do do Shakespeare ou do Neil Simon. Mas em todas elas, os mesmos personagens aparecem.
Sempre há o vilão, que eventualmente pode ser mal entendido e no final se redime.
O ator (ou atriz) titular na crista da onda, para quem o texto é re-escrito de acordo com sua necessidade de expressão.
A iniciante, que aparece no fundo de uma cena mas que tem o texto decorado, e fica na torcida eterna para o dia em que a titular amanheça com laringite.
O melhor amigo que se usa da amizade de alguem para entrar no elenco mas troca de lealdades assim que os interesses assim ditam.
O agente que promete o mundo a cada um para garantir a proxima peça.
O produtor que se importa apenas com a bilheteria.
O autor que acredita que tudo será melhor na proxima vez.
E o critico, que sem nada criativo a contribuir, pode destruir um bom texto ou redimir um pessimo.
E não é que a gente vai se adaptando aos papeis disponiveis? De vez em quando, uma troca de "ator" faz tanta diferença que toda a dinâmica muda e o papel que você topou fazer de repente é outro.
Ingmar Bergman em sua bigrafia (Lanterna Magica) conta que o Strindberg, malhado pelos criticos um dia disse a um deles "Nos vemos na proxima peça". O critico entendeu que estaria assistindo a peça, e meses depois se viu nela, como personagem.
Viva Strindberg.

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